24.5.17

The Schismatic Pope / O Papa cismático

The following is taken from of Chapter VIII of Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira's 1970 study titled "The theological hyphotesis of a heretic Pope", pp.  179-182 ( notes and bibliographical references available in the linked document):


The possibility of the Pope falling into schism appears absurd in principle. For is schism not the breaking off of one of the faithful from the Pope? How can the Pope break off with himself? Ubi Petrus, ibi Ecclesia: Where Peter is, there is the Church.

Nevertheless, numerous authors of importance do not exclude the hypothesis (1).

Suarez explains it in the following terms:

“...  the Pope could be schismatic, in case he did not want to have due union and coordination with the whole body of the Church as would be the case if he tried to excommunicate the whole Church, or if he wanted to subvert all the ecclesiastical ceremonies founded on apostolic tradition, as we observed by Cajetan (ad II-II, q. 39) and, with greater amplitude, Torquemada (1. 4, c.11)” (2).

... Cardinal Journet writes:

1. The ancient theologians (Torquemada, Cajetan, Banez), who thought, in agreement with the “Decree” of Gracian (part I, dist.XV, c. IV), that the Pope, infallible as Doctor of the Church, could however personally sin against faith and fall into heresy (see L’Eglise du Verbe Incarne t. I, p. 596), admitted with greater reason that the Pope could sin against charity, even in the measure that this latter constitutes the unity of the ecclesiastical communion, and thus fall into schism (1).

The unity of the Church, according to what they said, subsists when the Pope dies. Therefore, it could subsist also when a Pope fell into schism (Cajetan, II-II, q. 39, a. 1, n VI).

They ask themselves, however, in what manner can the Pope become schismatic. For he can separate himself neither from the chief of the Church, that is, from himself, nor from the Church, for where the Pope is, there is the Church.

To this Cajetan responds that the Pope could break the communion by ceasing to comport himself as the spiritual chief of the Church, deciding for example to act as a mere temporal prince. To save his liberty, he would flee thus from the duties of his charge; and if he did this with pertinacity there would be schism (2). As for the axiom “where the Pope is, there is the Church”, it holds when the Pope comports himself as Pope and chief of the Church; otherwise, the Church is not in him, nor is he in the Church (Cajetan, ibidem).

2. ... he also can sin against the ecclesiastical community in two ways: 1) breaking the unity of connection, which would suppose on his part the will to avoid the action of grace as far as this is sacramental, and what brings into being the unity of the Church; 2) breaking the unity of direction, which would result, according to the penetrating analysis of Cajetan, if he rebelled as a private person against the obligations of his charge and refused to the Church (trying to excommunicate the whole Church or simply resolving, in a deliberate way, to live as a mere temporal Prince) the spiritual orientation which she has the right to expect from him in the name of Someone who is greater than he: in the name of Christ and of God” (4).


... Cardinal Torquemada uses three arguments:

“1 – (…) by disobedience, the Pope can separate himself from Christ, who is the principal head of the Church and in relation to whom the unity of the Church is primarily constituted. He can do this by disobeying the law of Christ [n4 ... in that in which one denies the very principle of authority in the Church, breaking thus the ecclesiastical unity] or by ordering something which is contrary to natural or divine law. In this way he would separate himself from the body of the Church, while it is subject to Christ by obedience. Thus, the Pope would be able without doubt to fall into schism.

2. ... if he does not observe that which the Church Universal observes on the basis of the Tradition of the Apostles ... or if he did not observe that which was universally ordained by the universal Councils or by the authority of the Apostolic See above all in relation to Divine Worship. ... Departing in such a way, and with pertinacity, from the universal observance of the Church, the Pope would be able to fall into schism. ... For this reason, Innocent says (c. De Consue.) that one ought to obey the Pope in everything as long as he does not turn against the universal order of the Church, for in such a case the Pope must not be followed, unless there be reasonable cause for this.

3. ... let us suppose that this true Pope comported himself with such negligence and obstinacy in the pursuit of unity in the Church, that he did not wish to do everything he could for the reestablishment of unity. In this hypothesis the Pope would be considered as a fomenter of schism, according to the way many have argued, even in our days, in connection with Benedict XIII and Gregory XII” (1).

The authors who admit the possibility of a schismatic Pope, in general do not hesitate to affirm that in such a hypothesis, as in that of a Pope heretic, the Pontiff loses the charge. The reason for this is evident: schismatics are excluded from the Church, in the same way as heretics (2).

... we can conclude, with Cajetan, that “(…) the Church is in the Pope when he comports himself as Pope, that is, as Head of the Church; but in case he did not want to act as Head of the Church, neither would the Church be in him, nor he in the Church” (5).


Moreover, it is opportune to remember that “he who is pertinacious in schism, is practically indistinguishable from a heretic” (6); that “no schism fails to think up some heresy to justify it separation from the Church” (7); that schism constitutes a disposition for heresy (8); and that the schismatic, according to Canon Law and Natural Law, is suspect of heresy (9).

A possibilidade de queda do Papa em cisma parece em princípio absurda. Pois o cisma não é o rompimento do fiel com o Papa? Como pode o Papa romper consigo mesmo? ―Ubi Petrus, ibi Ecclesia‖: onde está Pedro, aí está a Igreja.


Contudo, numerosos autores de peso não excluem a hipótese

Suarez no-la explica nos seguintes termos:

"... o Papa poderia ser cismático, caso não quisesse ter com todo o corpo da Igreja a união e a conjunção devida, como seria se tentasse excomungar toda a Igreja, ou se quisesse subverter todas as cerimônias eclesiásticas fundadas em tradição apostólica, como observaram Caietano (ad II-II, q. 39) e, com maior amplitude, Torquemada (l. 4, c. 11).



...  Card. Journet escreve:

"1. Os antigos teólogos (Torquemada, Caietano, Bañez), que pensavam, de acordo com o ―Decreto de Graciano (parte I, dist. XV, c. VI), que o Papa infalível como Doutor da Igreja, podia entretanto pessoalmente pecar contra a fé e cair em heresia (ver ―L’Église du Verbe Incarné‖, t. I, p. 596), com maior razão admitiam que o Papa podia pecar contra a caridade, mesmo enquanto esta realiza a unidade da comunhão eclesiástica, e assim cair no cisma.

A unidade da Igreja, segundo eles diziam, subsiste quando o Papa morre. Portanto, ela poderia subsistir também quando um Papa incidisse em cisma (Caietano, II-II, q. 39, a. 1, n.º VI).

Eles se perguntavam, entretanto, de que maneira pode o Papa tornar-se cismático. Pois ele não pode separar-se nem do chefe da Igreja, isto é, de si próprio, nem da Igreja, porque onde está o Papa está a Igreja.

A isso Caietano responde que o Papa poderia romper a comunhão renunciando a comportar-se como chefe espiritual da Igreja, decidindo por exemplo agir como mero príncipe temporal. Para salvar sua liberdade, ele fugiria assim aos deveres de seu cargo; e se fizesse isso com pertinácia, haveria cisma. Quanto ao axioma ―onde está o Papa está a Igreja‖, vale quando o Papa se comporta como Papa e chefe da Igreja; em caso contrário, nem a Igreja está nele, nem ele na Igreja (Caietano, ibidem).


2. ... ele pode pecar de duas maneiras contra a comunhão eclesiástica: 1º) quebrando a unidade de conexão, o que suporia de sua parte a vontade de se subtrair à invasão da graça enquanto esta é sacramental e realiza a unidade da Igreja; 2º) quebrando a unidade de direção, o que se produziria, conforme a penetrante análise de Caietano, se ele como pessoa privada se rebelasse conta os deveres de seu cargo e recusasse à Igreja – tentando excomungá-la toda ou simplesmente resolvendo, de modo deliberado, viver como mero príncipe temporal – a orientação espiritual que ela tem o direito de esperar dele em nome de Alguém que é maior do que ele: do próprio Cristo e de Deus".


... o Cardeal Torquemada usa de três argumentos:

―1- (...) pela desobediência, o Papa pode separar-se de Cristo, que é a cabeça principal da Igreja e em relação a quem a unidade da Igreja primariamente se constitui. Pode fazer isso desobedecendo à lei de Cristo [... desobediência... naquele em que se nega o próprio princípio de autoridade na Igreja, rompendo, assim a unidade eclesiástica] ou ordenando o que é contrário ao direito natural ou divino. Desse modo, ele se separaria do corpo da Igreja, enquanto, está sujeito a Cristo pela obediência. Assim, o Papa poderia sem dúvida cair em cisma.

2- ...se não observar aquilo que a Igreja universal observa com base na tradição dos Apóstolos, ... ou se não observar aquilo que foi, pelos Concílios universais ou pela autoridade da Sé Apostólica, ordenado universalmente, sobretudo quanto ao culto divino. ... Afastando-se de tal modo, e com pertinácia, da observância universal da Igreja, o Papa poderia incidir em cisma. ... Por isso, Inocêncio diz (c. ―De Consue.‖) que em tudo se deve obedecer ao Papa enquanto ele não se volte contra a ordem universal da Igreja, pois em tal caso o Papa não deve ser seguido, a menos que haja para isso causa razoável.


3- ... suponhamos que esse Papa verdadeiro se comporte com tanta negligência e obstinação na busca da união da Igreja, que não queira fazer quanto possa o restabelecimento da unidade. Nessa hipótese, o Papa seria tido como fomentador do cisma, conforme muitos argumentavam anda em nossos dias, a propósito de Bento XIII e do Gregório XII".


Os autores que admitem a possibilidade de um Papa cismático, em geral não hesitam em afirmar que em tal hipótese, como na do Papa herege, o Pontífice perde o cargo. A razão disso é evidente: os cismáticos estão excluídos da Igreja, do mesmo modo que os hereges.


... podemos concluir, com Caietano que: ―(...) a Igreja está no Papa quando este se comporta como Papa, isto é, como Cabeça da Igreja; mas caso ele não quisesse agir como Cabeça da Igreja, nem a Igreja estaria nele, nem ele na Igreja".


Ademais, é oportuno lembrar que ―quem é pertinaz no cisma, praticamente não se distingue do herege‖5; que ―nenhum cisma deixou de excogitar alguma heresia a fim de justificar sua separação da Igreja‖6; que o cisma constitui uma disposição para a heresia7; e que o cismático, segundo o Direito Canônico e o Direito Natural, é suspeito de heresia8.

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