29.4.15

Mudanças doutrinais e a indefectibilidade da Igreja / Doctrinal changes and the indefectibility of the Church

"Entre as prerrogativas conferidas por Cristo à Sua igreja, encontra-se o dom da indefectibilidade.

Este termo significa, não apenas que a igreja persistirá até ao fim dos tempos, mas, mais do que isso, que preservará intactas as suas características essenciais. A igreja nunca poderá sofrer nenhuma alteração constitucional que a torne, enquanto organismo social, em algo diferente do que era na origem. Nunca poderá corromper a fé ou a moral; nunca poderá perder a sucessão apostólica, ou os sacramentos através dos quais Cristo comunica a sua Graça aos homens.

O dom da indefectibilidade é expressamente prometido por Cristo à Igreja, através das palavras em que Ele declara que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. É evidente que, se as tempestades que assolam a igreja provocassem uma agitação tão grande que alterássem as suas características essenciais e a tornássem em algo diferente daquela que foi a intenção de Cristo, as portas do inferno, i.e. os poderes do mal, teriam prevalecido. É também claro que se a igreja pudesse sofrer alguma alteração substancial, não seria já instrumento capaz de desempenhar as funções para as quais Deus a criou.


Indefectibilidade e fé e moral

Ele estabeleceu-a para que pudesse ser escola de santidade para todos os homens. Deixá-lo-ia de ser se alguma vez definisse falsas e corruptas normas morais. Estabeleceu-a para proclamar a Sua revelação ao mundo, e encarregou-a de alertar todos os homens que, se não aceitassem esta mensagem, pereceriam eternamente. Se a igreja, ao definir os mais pequenos pormenores das verdades da revelação, pudesse errar, aquela missão seria impossível. Nenhum corpo poderia anunciar tal pena baseado numa doutrina que pode ser errónea.

[Uma igreja que, nalgum período, ensinasse como sendo de fé doutrinas que não fazem parte do depósito, nunca poderia apresentar ao mundo a sua mensagem como sendo mensagem de Deus. O homem poderia razoavelmente dizer que se trata de um "erro de adição".]


Indefectibilidade, hierarquia e sacramentos

Pela hieraquia e pelos sacramentos, Cristo tornou a igreja depositária das graças da Paixão. Se perdesse algum destes elementos, não poderia dispensar aos homens os tesouros da graça.


Indefectibilidade e igrejas particulares

... A apenas uma igreja particular é a indefectibilidade assegurada, viz. à Sé de Roma. A Pedro e, nele, a todos os seus sucessores, enquanto pastor supremo, cometeu Cristo a tarefa de confirmar os seus irmãos na Fé (Lc 22, 32); e, por isso, à Igreja romana, como afirma Cipriano, "a infidelidade não pode ganhar acesso" (Epistola 54). ...


Indefectibilidade e o princípio católico da reforma

Como foi referido acima, uma parte do dom de indefectibilidade da igreja é a sua preservação de toda a corrupção substancial na esfera da fé e da moral. Isto pressupõe, não apenas que ela proclamará sempre a norma perfeita da moralidade que lhe foi trasmitida pelo seu Fundador, mas também que em cada era as vidas de muitos dos seus filhos serão baseadas neste sublime modelo.

Apenas um princípio sobrenatural de vida espiritual poderia realizar este feito. A tendência natural do homem é descendente. A força de todos os movimentos religiosos gasta-se gradualmente; e o seguidores dos grandes reformadores religiosos tendem, com o passar do tempo, para o nível do ambiente em que se movem. De acordo com as leis da natureza humana não assistida, deveria ter sido assim com a sociedade estabelecida por Cristo. E no entanto a história mostra que a Igreja Católica possui um poder de reforma vindo do seu interior que não te paralelo em qualquer outra organização religiosa. Uma e outra vez ela produz santos, homens que imitam as virtudes de Cristo em grau extraordinário, e cuja influência, espalhando-se por todo o lado, dá um novo ardor àqueles atingiram um nível menos heróico. Para citar uma ou duas das situações mais conhecidas, das muitas que podiam ser citadas: S. Domingos e S. Francisco de Assis reacenderam o amor da virtude nos homens do séc. XIII; S. Filipe de Neri e S. Inácio de Loyola fizeram o mesmo no séc. XVI; S. Paulo da Cruz e S. Afonso Liguori no séc. XVIII. Nenhuma explicação é suficiente para justificar este fenómeno senão a doutrina Católica de que a Igreja não é uma sociedade natural mas sim sobrenatural cuja preservação da sua vida moral não depende apenas das leis da natureza humana mas também da presença vivificante do Espírito Santo..."
"Among the prerogatives conferred on His Church by Christ is the gift of indefectibility.

By this term is signified, not merely that the Church will persist to the end of time, but further, that it will preserve unimpaired its essential characteristics. The Church can never undergo any constitutional change which will make it, as a social organism, something different from what it was originally. It can never become corrupt in faith or in morals; nor can it ever lose the Apostolic hierarchy, or the sacraments through which Christ communicates grace to men.

The gift of indefectibility is expressly promised to the Church by Christ, in the words in which He declares that the gates of hell shall not prevail against it. It is manifest that, could the storms which the Church encounters so shake it as to alter its essential characteristics and make it other than Christ intended it to be, the gates of hell, i.e. the powers of evil, would have prevailed. It is clear, too, that could the Church suffer substantial change, it would no longer be an instrument capable of accomplishing the work for which God called it in to being.




Indefectibility and faith and morals

He established it that it might be to all men the school of holiness. This it would cease to be if ever it could set up a false and corrupt moral standard. He established it to proclaim His revelation to the world, and charged it to warn all men that unless they accepted that message they must perish everlastingly. Could the Church, in defining the truths of revelation err in the smallest point, such a charge would be impossible. No body could enforce under such a penalty the acceptance of what might be erroneous.

[A Church which at any period might conceivably teach, as of faith, doctrines which form no part of the deposit could never deliver her message to the world as the message of God. Men could reasonably urge in regard to any doctrine that it might be an "error of addition".]



Indefectibility, hierarchy and the sacraments

By the hierarchy and the sacraments, Christ, further, made the Church the depositary of the graces of the Passion. Were it to lose either of these, it could no longer dispense to men the treasures of grace.


Indefectibility and particular churches

... Only to One particular Church is indefectibility assured, viz. to the See of Rome. To Peter, and in him to all his successors in the chief pastorate, Christ committed the task of confirming his brethren in the Faith (Luke 22:32); and thus, to the Roman Church, as Cyprian says, "faithlessness cannot gain access" (Epistle 54). ...



Indefectibility and the catholic principle of reform

It was said above that one part of the Church's gift of indefectibility lies in her preservation from any substantial corruption in the sphere of morals. This supposes, not merely that she will always proclaim the perfect standard of morality bequeathed to her by her Founder, but also that in every age the lives of many of her children will be based on that sublime model.


Only a supernatural principle of spiritual life could bring this about. Man's natural tendency is downwards. The force of every religious movement gradually spends itself; and the followers of great religious reformers tend in time to the level of their environment. According to the laws of unassisted human nature, it should have been thus with the society established by Christ. Yet history shows us that the Catholic Church possesses a power of reform from within, which has no parallel in any other religious organization. Again and again she produces saints, men imitating the virtues of Christ in an extraordinary degree, whose influence, spreading far and wide, gives fresh ardour even to those who reach a less heroic standard. Thus, to cite one or two well-known instances out of many that might be given: St. Dominic and St. Francis of Assisi rekindled the love of virtue in the men of the thirteenth century; St. Philip Neri and St. Ignatius Loyola accomplished a like work in the sixteenth century; St. Paul of the Cross and St. Alphonsus Liguori, in the eighteenth. No explanation suffices to account for this phenomenon save the Catholic doctrine that the Church is not a natural but a supernatural society, that the preservation of her moral life depends, not on any laws of human nature, but on the life-giving presence of the Holy Ghost..."

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