15.1.18

MÊS DO SANTÍSSIMO NOME DE JESUS

Desde o séc. XVI que a piedade cristão associa cada mês a uma devoção particular.

O mês de Janeiro é dedicado ao Santíssimo Nome de Jesus, cuja festa se celebra no dia 3 deste mês.

O nome de Jesus é anunciado pelo Arcângelo Gabriel, no momento da Anunciação e da Encarnação:

Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus” (Lc I, 31-32).

Jesus quer dizer Salvador e significa a magnitude da Sua missão. Honramos o Santíssimo Nome de Jesus porque este nos recorda todas as bênçãos que recebemos através do nosso Redentor. Para darmos graças por todas bênçãos recebidas, reverenciamos o seu Santo Nome, da mesma forma que honramos a Paixão de Cristo venerando a Sua Cruz.

Os primeiros cristão inscreviam o Santíssimo Nome de Jesus nas suas Igrejas, altares, cidades, casas e objectos utilizando vários cristogramas ou abreviaturas do Nome de Jesus: o Chi Ro (as primeiras letras de Cristo em grego), o IHS (primeiras letras de Jesus em grego, primeira e última letra da palavra latina IHesuS ou as iniciais da frase latina “Iesus Hominum Salvator”) ou o símbolo do peixe (em grego ICHTUS – que são também as iniciais de "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador").


O Santíssimo Nome de Jesus, quando invocado com confiança:

  • obtém o auxílio divino nas necessidades materiais, tal como Jesus prometeu: “em meu nome expulsarão demónios, falarão línguas novas, apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não sofrerão nenhum mal; hão-de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados” (Mc XVI, 17).

    Em Nome de Jesus, os Apóstolos curaram os paralíticos -“Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (Act III, 6) – e deram a vida aos mortos (Act IX, 40).

  • trás consolação nas tribulações espirituais. O Santíssimo Nome de Jesus recorda ao pecador o Pai do filho pródigo e o Bom Samaritano; recorda aos justos a morte do inocente Cordeiro de Deus.

  • protege contra Satanás e os seus demónios, visto que o demónio receia o Nome de Jesus, que o venceu na Cruz.

  • obtem todas as bênçãos e graças, porque Cristo disse: “se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, Ele vo-la dará." (Jo XVI, 23). É por isso que a Igreja conclui todas as suas orações com as palavras: “Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo…”. E é por isso, também, que a Igreja administra todos os seus sacramentos, oferece todas as suas orações e bênçãos e expulsa os demónios no Santíssimo Nome de Jesus.
Por estas razões, é aconselhável:
  1. Descobrir a cabeça e dobrar o joelho ou inclinar a cabeça quando se pronuncia o Santíssimo Nome de Jesus, tal como diz S. Paulo:

    Ele, que é de condição divina,não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

    Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome, para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos,
    os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra
    ” (Fil II, 6-10).

  2. Recitar a Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus.

  3. Nas necessidades invocar o Santíssimo Nome de Jesus.

  4. Não “invocar o Santo Nome de Deus em vão”.

29.12.17

Punti fermi sul Magistero (Don Angelo Citati)

[Resumo do do original italiano]

Primeiro erro: o "magisteriovacantismo"

De acordo com "magisteriovacantismo", após o Concílio Vaticano II o Magistério deixou de existir, ou porque a Sede está vacante, ou porque o Pontífice não tem a intenção de ensinar magistralmente.


  • Mas o Papa Pio XII ensina que o Magistério é a norma próxima da Fé. A Igreja não poderia sobreviver longas décadas sem ele. Portanto afirmar que o Magistério não existe (ou que existe apenas em potência e não em acto), coloca em causa indefectibilidade da Igreja.

  • Por outro lado, não podemos determinar a priori qual a autoridade de um texto promulgado pelo Papa (é o próprio Papa que o define) e mesmo no actual contexto e com alterações no conceito de Magistério ocorridas nos últimos anos (multiplicação de intervenções, diminuição da sua solenidade, aumento do número de órgãos, intenção "dialógica" e pastoral), os Papas têm continuado a recorrer ao Magistério no sentido tradicional do termo (i.e. A proclamação de Maria como Mãe da Igreja, o proclamação do Credo do Povo de Deus, a impossibilidade da ordenação de mulheres na Ordinaton Sacerdotalis, a condenação do aborto na Evangelium Vitae).

  • O facto de existirem erros ou contradições face ao passado não justifica esta posição visto que "o magistério pastoral ordinário pode conter erros ou simplesmente expressar opiniões".

    Segundo erro: "Absolutismo magisterial"

    No extremo oposto do "magisteriovacantismo" encontra-se o "absolutismo magisterial". Segundo esta posição, é suficiente que seja a autoridade legítima a publicar um documento para que a declaração aí contida seja magisterial, se imponha à consciência como indisputável, seja aceite e partilhada por todos os católicos.

    Mas:

  • o magistério tem de se expressar com verdadeira autoridade, em nome e com a autoridade de Jesus Cristo, mostrando como o ensinamento em questão tem as suas raízes na Tradição da Igreja e se encontra na continuidade do Magistério anterior.

  • às três instâncias epistemológicas de que dispõe o Católico para conhecer a verdade e orientar a sua consciência (a norma remota - a Tradição e as Escrituras, e a norma próxima - o Magistério), deve-se juntar uma quarta: a sua razão e os princípios que a governam, nomeadamente o princípio da não contradição. Daqui resulta que se uma proposição se encontra em contradição lógica com uma proposição magisterial anterior, o Católico deve em consciência rejeitá-la.


    Uma objecção: "Tradi-protestantismo" ?

    Não será esta a atitude dos protestantes que se recusam a acatar as declarações do magistério ou o acusam de trair as fontes da Revelação?

    Não.

    Os protestantes fundamentam a sua posição num critério positivo de oposição: cada fiel tem, sob a inspiração do espírito santo, a autoridade de determinar qual a é interpretação das Sagradas Escrituras e/ou da Tradição. Ou seja a razão individual torna-se o critério próximo de interpretação da Revelação

    A rejeição de proposições que contradizem o anterior magistério é um critério puramente negativo: não substitui o Magistério pela razão individual, mas precisamente porque aderiu a todas as proposições que a norma de fé próxima propõe, rejeita aquelas que as contradizem.

    O protestante pretende dispor da Autoridade para estabelecer o que faz parte da Revelação. O "tradicionalista" limita-se a recordar que aquilo que foi ensinado não pode ser simplesmente excluído e substituído pelo seu contrário ou que o que foi declarado incompatível com a o depósito da Fé não pode subitamente passar a fazer parte dele.

    Pretender negar a possibilidade deste tipo de crítica é querer elevar os detentores da Autoridade magisterial ao nível de Messias. Mas, pelo contrário, a tarefa do Magistério é transmitir, explicar, aprofundar e não inventar coisas novas. O único que pode dizer "ouvistes o que foi dito... eu porém digo-vos" é Jesus Cristo. A Revelação terminou com a morte do último apóstolo.

    Após a conclusão da Revelação, após a morte do último apóstolo, ninguém - nem mesmo o vigário de Jesus Cristo - tem autoridade para acrescentar ou modificar seja o que for.


    A verdade que se eleva entre os dois erros

  • O Magistério não deixou de existir após o Vaticano II e nos casos em que ele é verdadeiramente exercido, é requerida obediência de acordo com as diferentes graus de assentimento exigidos pela Igreja

  • Nos pontos em que o Magistério contém proposições que parecem contradizer o que foi anteriormente ensinados pelo magistério ou as suas consequências, deve-se manter o que foi ensinado pelo Magistério anterior.

  • No que respeita às questões em que não é claro que se a autoridade magisterial tradicional está a ser exercida mas em que que não é possível demonstrar contradições explicitas com o Magistério anterior, deve este magistério ser interpretado, por quem tem a devida competência para tal, à Luz da Tradição.


  • 22.12.17

    O DISCURSO DE 11 de OUTUBRO de 2017 ou a TRADIÇÃO SEGUNDO FRANCISCO (M. l'abbé Jean-Michel Gleize, Courrier de Rome, Novembre 2017)

    [Tradução do original em Francês]

    14. Neste Discurso, o Papa Francisco usa um expressão que pareceria ir no bom sentido da doutrina católica recordada nas anteriores secções. "Em face dos novos desafios e perspectivas abertas à humanidade, é necessário e urgente que a Igreja exponha a novidade do Evangelho de Cristo, contido na Palavra de Deus, mas ainda não trazido à luz. É este tesouro, feito do novo e do velho de que falava Jesus quando dizia aos discípulos para ensinarem a novidade que dele emanava, sem abandonar o velho (ver Mt.XIII, 52)."

    15. Mas é uma passagem muito isolada. Todo o contexto sugere obviamente uma concepção não católica da Tradição e do progresso do dogma.

    16. Em vez de dizer "custodire et exponere" ou "custodire et declarare", o Papa diz: "Manter e continuar, é o objectivo da Igreja pela sua própria natureza, de tal forma que a verdade da proclamação do evangelho por Jesus atingirá a sua plenitude no final dos tempos". Encontra-se aqui uma ideia retirada do Concílio do Vaticano II e emprestada da constituição Dei Verbum, tal como é possível comprovar nesta outra passagem em que lhe é feita referência explícita: "A Igreja perpetua na sua doutrina, na sua vida e no seu culto e transmite a todas as gerações, tudo o que ela é, tudo o que ela acredita" (n. 1). Os padres conciliares não conseguiriam encontrar uma expressão sintética mais feliz para expressar a natureza e a missão da Igreja. Não é apenas na doutrina, mas também na vida e no culto que os crentes se podem tornar povo de Deus. A partir daqui, a Constituição dogmática sobre a Revelação Divina expressa a dinâmica interna do processo: Esta Tradição progride [...] cresce [...] tende constantemente para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus. (n. 2)».

    17. Quando se diz que "a Igreja tende sem cessar com o passar dos séculos para a plenitude da verdade, até que se cumpra nela as palavras de Deus", isto seria verdade na medida em que o conhecimento da revelação se torna mais perfeito, mais explícito por parte dos crentes; A causa deste progresso é a autoridade da igreja docente, que em nome de Deus, com a assistência do Espírito Santo e infalivelmente, explica as verdades reveladas e as expõe de forma mais precisa à crença dos fiéis. Mas, como ensina o Concílio Vaticano I na constituição Dei Filius, este progresso deve ser "no mesmo sentido". Não podemos conceber esse progresso no sentido de que, como explica Fanzelin (n. 3), "a revelação recebe diariamente novos incrementos - exactamente como no antigo Testamento, desde o início até Cristo e os apóstolos -, novas revelações vieram sem parar adicionar-se às anteriores". A tendência da Igreja para a "plenitude da verdade" e a realização "das palavras de Deus" mencionadas pela Dei Verbum no seu  nº 8 pode ser entendido como uma elaboração progressiva do depósito de fé por novas revelações. O texto não distingue entre a verdade revelado, no sentido ontológico, e a verdade da inteligência que penetra essas mesmas expressões, no sentido psicológico.

    18. Mas o contexto da citação remove a ambiguidade no sentido errado e Francisco confirma-o dizendo que "não é apenas na doutrina, mas também na vida e no culto que os crentes podem tornar-se povo de Deus". Não se trata portanto da verdade, mas da vida e do devenir do povo de Deus. A tradição não deve ser entendida no sentido da transmissão de uma verdade inteligível, nem mesmo no sentido de que essa verdade evoluiria no seu significado. Deve ser entendido, em primeiro lugar,  no sentido da transmissão de uma vivência, de uma experiência. A verdade é então essa tradução inteligível, que muda e evolui mesmo no seu significado, enquanto tende para a sua plenitude de acordo com a experiência vivida. A tradição é a expressão da consciência do povo de Deus que progride constantemente. Esta não é já a expressão progressiva do mesmo significado da mesma verdade. É a expressão de uma progressão onde a verdade assume constantemente significados diferentes.

    19. Este é o princípio herdado do concílio. As fórmulas muito visuais de Francisco apenas retiram as consequências, no seu estilo provocador ao qual estamos agora mal habituados: "A tradição é uma realidade viva e apenas uma visão parcial pode pensar que o depósito de fé é uma realidade estática! Não. A Palavra de Deus é uma realidade dinâmica, ainda viva, progredindo e crescendo em direcção a uma realização que os homens não podem impedir. [...] A Palavra de Deus não pode ser conservada na naftalina como se fosse uma manta velha da qual é preciso remover os parasitas! [...] Não podemos manter a doutrina sem a fazer avançar. Não podemos fechá-la numa leitura rígida e imutável, sem desprezar a acção do Espírito Santo. É essa palavra que devemos fazer nossa numa atitude de escuta religiosa, para que a nossa Igreja avance com o entusiasmo das origens, em direcção aos novos horizontes a que o Senhor nos chama."

    20. E tudo o resto de sabor tradicional, retirado de S. Vicente de Lérins ou de S. Paulo inscreve-se numa lógica totalmente estranha ao seu pensamento, no que gostaríamos de qualificar como uma empresa de vergonhosa recuperação.  "O desenvolvimento harmonioso da doutrina exige no entanto, o abandono de tomadas de posições ligadas a argumentos que agora aparecem a partir de determinado momento contrários a uma nova compreensão da verdade cristã. Isto é o que já lembrava S. Vincente de Lérins: Mas talvez digamos: Não haverá, então, na Igreja de Cristo, qualquer progresso da religião? - Sim, deve haver, e considerável! Quem seria assim tão inimigo da humanidade, tão hostil a Deus, para se lhe tentar opor?".

    21. E, claro, "esta lei de progresso, de acordo com o feliz fórmula de S. Vicente de Lérins pertence à condição particular da verdade revelada tal como esta é transmitida pela Igreja, e não significa absolutamente uma mudança de doutrina". Contradição inconsciente? Hipocrisia maquiavélica? Estratégia retórica? A verdade é muito mais simples.

    22. A tradição segundo Francisco, é apenas a recuperação da Tradição de acordo com João Paulo II e Bento XVI. É suficiente perceber que ele relê tanto o motu proprio Ecclesia Dei afflicta de 2 de Julho de 1988, como o Discurso à Cúria de 22 de Dezembro de 2005. Ambos tomam como princípio o postulado modernista da Tradição viva. Bento XVI especialmente foi o seu porta-voz e teólogo. No seu discurso, o Magistério é apresentado como o órgão da "renovação na continuidade do sujeito único - Igreja, que cresce no tempo e se desenvolve, permanecendo no entanto, sempre o mesmo" (n. 4). Renovação evolucionista, onde a unidade do dogma e a Igreja não é já a unidade intertemporal da verdade objectiva, mas a unidade cronológica definida por referência ao sujeito presente da autoridade, ele mesmo garante da unidade de outro sujeito mais fundamental que é o único povo de Deus em marcha pelo tempo e que se exprime pela sua vivência. O presente do Magistério deve permanecer atento à inspiração presente dessa experiência. O papel do Magistério é garantir a continuidade dessa experiência, é o instrumento do Espírito, que fala às igrejas e que alimenta comunhão "assegurando a ligação entre a experiência da fé apostólica, vivida na comunidade original dos discípulos, e a experiência actual de Cristo em Sua Igreja" (n. 5). E o Espírito inspira primeiro directamente o povo inteiro. Haverá aqui outra coisa que não a concepção modernista descrita pela Encíclica Pascendi, onde o ato de fé é a expressão consciente de um sentimento religioso imanente e onde o magistério é o porta-voz da imanência colectiva, o órgão da comunidade eclesial do Povo de Deus, estabelecendo as fórmulas necessárias para a expressão actual da experiência comum?

    23. É fácil falar de uma "renovação em continuidade "e dizer que a lei do progresso" não significa absolutamente uma mudança de doutrina. Mas ninguém conseguiu demonstrar até agora que a renovação do Vaticano II não quebrou a continuidade objectiva da Tradição da Igreja, nem que a doutrina não mudou. Porque, se o povo de Deus em marcha acaba por sentir que a misericórdia reclama uma mudança de atitude em relação à pena de morte, em nome de quem se poderia recusar dar substância a tal intuição? "O desenvolvimento harmonioso da doutrina exige no entanto, o abandono de tomadas de posições ligadas a argumentos que parecem a partir de determinado momento contrários a uma nova compreensão da verdade cristã." A Igreja deve expor a novidade do evangelho, mas o que acontece se o evangelho já não é a verdade revelada por Deus a que devem aderir as nossas inteligências, mas uma experiência comum, "a experiência real de Cristo na sua Igreja", como recordou Bento XVI? Qual é o resultado se a Tradição for a expressão de uma experiência vivida, que o magistério reinterpreta constantemente?

    24. Francisco conta-nos no seu livro de entrevistas com Dominique Wolton: "A tradição é a doutrina que está a caminho, que está a avançar, porque a consciência evolui" (n. 6). Consciência do povo de Deus, do único sujeito-Igreja, que, diz Bento XVI, "cresce no tempo e desenvolve-se, mas permanece sempre a mesma". Como não ver aqui o erro já condenado pelo juramento anti-modernista, erro que "substitui o depósito divino revelado confiado à Noiva de Cristo, para que ela o mantivesse fielmente, por uma criação de consciência humana, formada pouco a pouco pelo esforço humano e que um progresso aperfeicoará no futuro"? Erro mortal desta Igreja do Vaticano II, que, como diz a Dei Verbum, "tende constantemente para a plenitude da verdade divina". Uma vez que depois do Concílio, o devenir tomou o lugar do ser. Francisco faz-se oráculo desse evolucionismo, consequência do neomodernismo.

    25. S. João diz-nos que Pilatos perguntou a Jesus: "O que é a verdade? "(Jn, XVIII, 38). Não está aqui a origem profunda do modernismo? Recupera todos os sistemas de pensamento para os quais a verdade não existe, uma vez que está em constante processo de actualização. Nunca é alcançada. Tal era a religião de Pôncio Pilatos, que entregou Jesus aos judeus, para ser crucificado.

    Notas:

    1. Dei Verbum, n° 8.
    2. Ibidem.
    3. JEAN-BAPTISTE FRANZELIN, La Tradition, thèse XXII, n° 457, Courrier de Rome, 2008, p. 325-326.
    4. BENOÎT XVI, «Discours à la curie du 22 décembre 2005» dans DC n° 2350, p. 59.
    5. ID, «La communion dans le temps : la Tradition », Allocution du 26 avril 2006, dans L’Osservatore romano n° 18 du 2 mai 2006, p. 12.
    6. PAPE FRANÇOIS, Rencontres avec Dominique Wolton. Politique et société, Editions de l’Observatoire/Humensis, 2017, p. 316.

    21.12.17

    A lei do progresso doutrinal: TEXTES DE BASE

    I - Concile Vatican I, constitution dogmatique Dei Filius sur la foi catholique, chapitre IV, DS 3020 (Dz 1800

    D’autre part, la doctrine de foi que Dieu a révélé n’a pas été proposée comme une découverte philosophique à faire progresser par la réflexion de l’homme, mais comme un dépôt divin confié à l’Épouse du Christ pour qu’elle le garde fidèlement et en explicite le sens infailliblement. En conséquence, le sens des dogmes sacrés qui doit être conservé à perpétuité est celui que notre Mère la sainte Église a présenté une fois pour toutes et jamais il n’est loisible de s’en écarter sous le prétexte ou au nom d’une compréhension plus poussée. «Que croissent et progressent largement et intensément, pour chacun comme pour tous, pour un seul homme comme pour toute l’Église, selon le degré propre à chaque âge et à chaque temps, l’intelligence, la science, la sagesse, mais exclusivement dans leur ordre, dans la même croyance, dans le même sens et dans la même pensée

    For, the doctrine of faith which God revealed has not been handed down as a philosophic invention to the human mind to be perfected, but has been entrusted as a divine deposit to the Spouse of Christ, to be faithfully guarded and infallibly interpreted. Hence, also, that understanding of its sacred dogmas must be perpetually retained, which Holy Mother Church has once declared; and there must never be recession from that meaning under the specious name of a deeper understanding [can. 3]. "Therefore . . . let the understanding, the knowledge, and wisdom of individuals as of all, of one man as of the whole Church, grow and progress strongly with the passage of the ages and the centuries; but let it be solely in its own genus, namely in the same dogma, with the same sense and the same understanding.''

    II - Concile Vatican I, constitution dogmatique Pastor æternus sur l’Église, chapitre IV, DS 3070 (Dz 1836)

    En effet, le Saint-Esprit n’a pas été promis aux successeurs de Pierre, afin qu’ils publient une nouvelle doctrine que le Saint-Esprit leur révélerait, mais afin qu’ils gardent saintement et expliquent fidèlement le dépôt de la foi, c’est-à-dire la révélation transmise par les Apôtres, avec l’assistance du Saint-Esprit.

    For, the Holy Spirit was not promised to the successors of Peter that by His revelation they might disclose new doctrine, but that by His help they might guard sacredly the revelation transmitted through the apostles and the deposit of faith, and might faithfully set it forth. 

    III - Saint Pie X, Motu proprio Sacrorum Antistitum (Serment antimoderniste) - DS 3541 (Dz 2145) 

    Quatrièmement, je reçois sincèrement la doctrine de la foi transmise des apôtres jusqu’à nous toujours dans le même sens et dans la même interprétation par les pères orthodoxes ; pour cette raison, je rejette absolument l’invention hérétique de l’évolution des dogmes, qui passeraient d’un sens à l’autre, différent de celui que l’Église a d’abord professé. Je condamne également toute erreur qui substitue au dépôt divin révélé, confié à l’Epouse du Christ, pour qu’elle garde fidèlement, une invention philosophique ou une création de la conscience humaine, formée peu à peu par l’effort humain et qu’un progrès indéfini perfectionnerait à l’avenir.

    Fourthly, I accept sincerely the doctrine of faith transmitted from the apostles through the orthodox fathers, always in the same sense and interpretation, even to us; and so I reject the heretical invention of the evolution of dogmas, passing from one meaning to another, different from that which the Church first had; and likewise I reject all error whereby a philosophic fiction is substituted for the divine deposit, given over to the Spouse of Christ and to be guarded faithfully by her, or a creation of the human conscience formed gradually by the efforts of men and to be perfected by indefinite progress in the future. 

    20.12.17

    A LEI DO PROGRESSO DOCTRINAL: "EXPOR E DECLARAR" (M. l'abbé Jean-Michel Gleize, Courrier de Rome, Novembre 2017)

    [Tradução do original em Francês]

    9. A transmissão do depósito da fé (Tradição), portanto, inclui a sua explicitação. O Concílio Vaticano I ensina o seguinte na constituição Dei Filius: "Fidei doctrina, quam Deus revelavit [...] tamquam divinum depositum Christi Sponsæ tradita é custodienda fideliter e declaranda infallibiliter" (n. 1).

    A doutrina da fé que Deus revelou foi transmitida à Esposa de Cristo como um depósito divino, de modo que ele o preserva fielmente e torna seu significado explícito de maneira infalível. Assim, convém traduzir o termo latino "declarare", que significa precisamente "tornar mais claro".

    Da mesma forma, a Constituição Pastor Aeternus diz que os soberano pontífices "eo assistente, traditam por Apostolos revelationem depositum fidei Seu custodirent sancte e exponerent fideliter" (n. 2). Os papas devem, com a assistência do Espírito Santo, conservar santamente  e explicar fielmente a revelação transmitida pelos apóstolos, isto é, o depósito da fé.

    10. O Magistério conserva fielmente e piedosamente o depósito, na medida em que recorda constantemente o que já está explicitamente contido na depósito primitivo ou o que já foi explicitado por uma proposição anterior do Magistério.

    Deve ainda explicitar infalivelmente o significado desse depósito ou explicitá-lo fielmente no sentido em que propõe de uma maneira conceptualmente distinta aquilo que estava até ao momento contido no depósito de maneira implícita e confusa.

    11. Este segundo trabalho de explicitação foi descrito por S. Vicente de Lérins no seu Commonitorium, nos termos tomados pelo Concílio Vaticano I (n. 3). Mas S. Vicente de Lérins, em seguida, utiliza comparações biológicas que são inadequadas: "Que se trate da religião das almas a partir do desenvolvimento dos corpos; que se espalham e estendem suas proporções com os anos e, no entanto, permanecem constantemente os mesmos" (n. 4). Na verdade, o que está vivo cresce por meio da assimilação, no sentido de que é um progresso quantitativo possibilitado pela introdução de um elemento estranho, o alimento, que é transformado em substância dos vivos.

    O "progresso" do dogma é bastante diferente porque consiste, na inteligência da Igreja, numa percepção mais distinta do que já está em acto no depósito da fé. "Este tipo de progresso é feito por pura desenvelopagem dos dados primitivos, sem ingerir nada do exterior" (n . 5).

    Portanto, é necessário desistir das imagens biológicas e buscar exemplos num nível superior: o da ciência matemática, onde das definições do círculo e do triângulo resultam as suas propriedades por pura necessidade interna; o nível também da metafísica, onde sendo a infinidade de Deus postulada, resulta também necessariamente a sua presença íntima no coração de todas as coisas.

    12. Mais precisamente, a diferença entre o desenvolvimento do dogma e o de um germe é enfatizada por Journet, que recorre aos estudos do Padre Allo (n. 6). "A relação da doutrina inicial com nossa síntese dogmática", observa o último, "de forma alguma é a de uma semente com um arbusto. Porque no caso do dogma, a semente era tão grande – ou maior - que a árvore".

    Em outras palavras, a proporção da semente para a árvore, que é na ordem do crescimento propriamente dito, é a de uma relação de primeira ordem com base na quantidade, pela qual a árvore é medida pela semente e a semente pela árvore (n. 7).

    A relação do depósito da fé com o dogma, que está na ordem do conhecimento, é a de uma relação de terceira ordem, baseada no facto de que um é medido pelo outro, não de acordo com sua quantidade, mas de acordo com seu ser e a sua verdade (n. 8). Esse tipo de relação não é recíproco, porque apenas um é medido pelo outro. Assim, o dogma é medido pelo depósito revelado, pois dele depende em seu sign[ificado], tal como a expressão mais distinta de um sentido inteligível dado depende desse significado inteligível, que deve significar de forma mais explícita.

    Assim devemos entender a comparação desenvolvida por S. Vicente de Lérins: "O que cresce e progride [...] a inteligência, a ciência, a sabedoria, mas exclusivamente [...] no mesmo sentido". O crescimento (no sentido impróprio e metafórico do termo) não ocorre ao nível do significado e do pensamento, mas ao nível da inteligência desse significado. O texto da constituição Dei Filius diz ainda que "o significado dos dogmas sagrados que devem ser preservados em perpetuidade é aquele que nossa Mãe, a Santa Igreja, apresentou de uma vez por todas e nunca é possível afastar-se dele sob o pretexto ou em nome de uma compreensão mais profunda."  crescimento (no sentido impróprio e metafórico do termo) não ocorre ao nível do significado e do pensamento, mas ao nível da inteligência desse significado. O texto da constituição Dei Filius diz ainda que "o significado dos dogmas sagrados que devem ser preservados em perpetuidade é aquele que nossa Mãe, a Santa Igreja, apresentou de uma vez por todas e nunca é possível afastar-se dele sob o pretexto ou em nome de uma compreensão mais profunda." Uma compreensão mais profundada deve referir-se ao mesmo sentido, pois é esse sentido que é a sua medida.



    Notas

    1.DS3020. 
    2.DS3070.
    3. DS 3020.
    4. Commonitorium, livre I, chapitre XXIII, Migne latin, t. L, col. 668 : « Imitetur animarum religio rationem corporum, quæ licet annorum processu numeros suos evolvant et explicent, eadem tamen quæ erant permanent ».
    5. JOURNET, Le Message révélé, p. 73.
    6. JOURNET, ibidem, p. 75, citant ERNEST ALLO, «Germe et ferment» dans Foi et système, 1907.
    7. SAINT THOMAS D’AQUIN, Commentaire sur la Métaphysique d’Aristote, livreV, leçon 17, n° 1001.
    8. ID., ibidem, n° 1003.
    9.Apoc, XXII, 18.
    10. Commentaire sur le Livre des Sentences de Pierre Lombard, livre I, division du texte du Prologue.

    19.12.17

    A transmissão do depósito da fé: Revelação e Tradição(M. l'abbé Jean-Michel Gleize, Courrier de Rome, Novembre 2017)

    [Tradução do original em Francês]

    5. O depósito de fé é objecto de uma dupla transmissão, não apenas humana mas divina. É primeiro objecto de uma primeira transmissão de Cristo aos apóstolos, por via de revelação (apocalypsis). É depois objeto de uma segunda transmissão dos apóstolos à Igreja por via da tradição (paradosis).

    Sublinhe-se que essa dupla transmissão, pelo facto de ser divina e não humana, não é um processo de transmissão procedente dos homens do passado e dirigida aos homens do presente. Devemos entende-la formalmente como uma transmissão procedente de Cristo e dirigida aos apóstolos e dos apóstolos à Igreja (ou da igreja docente à igreja discente), para além do tempo.

    O que foi transmitido foi transmitido de uma vez por todas e é por isso que "o significado dos dogmas sagrados que deve ser mantido para sempre é aquele que nossa Mãe, a Santa Igreja, apresentou de uma vez por todas".

    6. A revelação leva ao depósito revelado tal como ele se encontra na inteligência coletiva dos apóstolos (n. 1). Este conhecimento é o de um significado profundo e total do mistério revelado, através de uma luz profética.

    Os apóstolos tinham a inteligência definitiva (n. 2) de todos os mistérios, isto é, eles sabiam tão perfeitamente quanto possível o significado de todas as verdades reveladas.

    Isso não significa que seu conhecimento fosse desde logo explicitado em fórmulas transmissíveis. Eles tinham um conhecimento imediatamente explicitável por eles próprios, mas não o explicitaram totalmente deixando esta tarefa aos seus sucessores assistidos pelo Espírito Santo.

    Iluminados por um luz profética não transmissível, os apóstolos tinham dos mistérios um conhecimento total e excepcional, que excedeu em elevação tudo o que o Magistério da Igreja, assistido pelo Espírito Santo, poderia descobrir no decurso do tempo, ao explicar o significado das fórmulas imediatamente reveladas.

    Essa incomparável perfeição de conhecimento apostólico é ensinado pelo Magistério, quando condena a proposição vigésima primeira do decreto Lamentabili: "A revelação constituindo o objetco da fé católica não terminou com os apóstolo" (n. 3).

    Isso significa que os apóstolos tinham a inteligência completa de todos os sentido das fórmulas reveladas, e que depois deles a Igreja apenas pode descobrir, sem inventar outro significado que os apóstolos não teriam percebido. O conhecimento apostólico representa uma perfeição para a qual tende a Igreja sem poder alcançá-la, tal como o polígono tende para o círculo. Portanto, não pode ser o ponto de partida de um desenvolvimento no sentido estrito de este termo.

    7. A tradição leva ao depósito revelado tal como é encontrado na inteligência da Igreja. O termo que designa, neste primeiro sentido, a ação de transmitir o depósito à Igreja (e não já aos apóstolos) chegou a designar, em um segundo sentido, o próprio depósito, como transmitido à Igreja.

    A transmissão pode ser feita pela palavra oral ou pela palavra escrita. Os apóstolos usaram os dois métodos.

    O termo tradição acabou por designar também, num terceiro sentido, o depósito revelado transmitido por via oral. O Concílio de Trento usa este terceiro sentido restrito quando distingue a Escritura de Tradições (n. 4).

    Como bem demonstraram S. Roberto Belarmino (n. 5) e Franzelin (n. 6), a Tradição entendida neste terceiro sentido é anterior à Escritura do triplo ponto de vista da cronologia, extensão e regulação (n. 7). A transmissão oral do depósito foi feita antes da redacção das escrituras, transmite todo o depósito enquanto que a Escritura apenas transmite parte dela, deve servir como  regra para entender o significado das verdades transmitidas pelas Escrituras.

    8. Os apóstolos conheceram o mistério de Cristo de uma maneira excepcional, na luz profética incomunicável de uma revelação. É neste luz que eles formaram e liam eles próprios os enunciados transmitidas por eles aos fiéis de seu tempo.

    Eles penetraram toda a sua riqueza; eles poderiam ter, [explicitado, formulado, expressado] o que estava contido [no depósito] de forma ainda implícita, informulada, não expressa.

    Mas não é assim com a Igreja depois deles. Os enunciados apostólicos são para eles os seus princípios, e não as conclusões. Eles já têm para ela um significado explícito, determinado e claro. Mas eles também são ricos de um significado implícito, ainda indeterminado, obscuro. Quanto mais o princípio é profundo, elevado e divino, quanto mais encerra consequência implícitas, virtualidades,  indeterminações; na medida em que são explícitados e clarificados, as suas determinações tornam-se inferiores em virtude e fecundidade (n. 8).

    É por isso que declarações dogmáticas dos concílios, dos papas e dos teólogos são mais claras e precisas que os do depósito divino, mas ao mesmo tempo menos sugestivas, menos férteis, menos cheias de verdade. Existe de facto, excepto em Deus, uma incompatibilidade radical entre conhecimento distinto e conhecimento universal.

    Por conseguinte, será necessário que a Igreja se mova do conhecimento universal (ou no estado implícito) e confuso a um conhecimento particular (ou no estado explícito) e distinto.

    Haverá um "progresso" na compreensão do significado das verdades reveladas, mas não será um progresso feito por novas revelações; será a partir de agora um progresso devido a novas explicitações da revelação . Portanto, falaremos de progresso não da revelação mas do dogma.


    Notas:

    1. Devemos ouvi-los aqui como tal e, portanto, como iguais; não como membros da hierarquia eclesiástica (como papa e bispos) onde não são iguais.
    2. Eph, III, 4 e III, 8.
    3. DS 2021.
    4. Concile de Trente, session IV, Décret sur les saintes Écritures et les Traditions, DS 1501 (Dz 783).
    5. SAINT ROBERT BELLARMIN, Première Controverse, livre III, «De verbi Dei interpretatione», chapitre I et II ; livre IV, «De verbo Dei non scripto», chapitres 1-4, Opera omnia, éd. Pedaune Lauriel, 1872, p. 96-101 et 115-122.
    6. JEAN-BAPTISTE FRANZELIN, La Tradition, thèse 21, n° 439-455, Courrier de Rome, 2008, p. 315-321.
    7. CHARLES JOURNET (Le Message révélé. Sa transmission, son développement, ses dépendances, Desclée de Brouwer, 1963,p. 32-47 et Esquisse du développement du dogme marial, Alsatia, 1954, p. 31-40) conteste cette vérité qu’il désigne comme la «thèse de la juxtaposition » (Le Message révélé, p. 43) et dans laquelle il voit «les thèses classiques d’une certaine apologétique antiprotestante» (Esquisse, p. 33).
    8. S. THOMAS, Summa Teológica, pars, pergunta 54, artigo 3.

    18.12.17

    CINCO IDEIAS DE SANTOS PARA OS TEMPOS QUE VIVEMOS

    O Depósito da Fé (M. l'abbé Jean-Michel Gleize, Courrier de Rome, Novembre 2017)

    [Tradução do original em Francês]

    1. A origem da palavra "depósito" (depositum em latim; Parathèkè em grego) é escritural (n.1). Esta palavra foi retomada pelo Concílio do Vaticano I: este depósito de fé não é outro que a revelação transmitida pelos apóstolos.

    2. Este termo pode designar: em primeiro lugar, realidades divinas cujo conhecimento nos é transmitido, isto é, os mistérios sobrenaturais; em segundo lugar, enunciados conceptuais e verbais, cujo significado é garantido por Deus, e que são para nós o meio através do qual tomamos conhecimento destes mistérios.

      O nosso ato de fé diz respeito especificamente às realidades divinas, mas alcançadas por meio dos declarações reveladas. O depósito revelado é, portanto, o conjunto dos mistérios, tal como recebidos através de um conjunto de enunciados inteligíveis.

    3. Dois elementos são necessários para que um mistério seja objecto da nossa adesão: um elemento ontológico e um elemento cognitivo. Em primeiro lugar, é necessário que a enunciação desse mistério esteja realmente incluída no depósito revelado, e que tenha sido formulada, ou de maneira explicita, isto é, em termos claros e distintos, ou de uma forma implícita, isto é, em termos apenas equivalentes e confusos.

      Em segundo lugar, é necessário que a inclusão deste enunciação do mistério no depósito revelado nos seja manifestada por uma autoridade divina verídica e infalível, que é a do Magistério eclesiástico.

      Para ser o objecto do ato de fé divina, um mistério revelado pressupõe primeiro o significado de uma enunciação inteligível e depois uma leitura ou declaração autorizada do seu significado. É por isso que é comum, em teologia, distinguir loci continentes e loci declarantes. Os primeiras são as fontes de revelação, enquanto que os segundos são os critérios (n.2).

    4. Pode acontecer que, na prática, o primeiro elemento ultrapasse o segundo. A inclusão de uma verdade no depósito revelado pode ser percebida e transformar-se em objecto da nossa adesão, antes de ser manifestada pelo Magistério. Isso acontece quando a enunciação do mistério é suficientemente explícita, por exemplo, quando se trata da divindade de Cristo, da virgindade de Maria, da sua maternidade divina, da necessidade da graça.

      Pode ocorrer, também, na prática, que ocorra o oposto e que o segundo elemento ultrapasse o primeiro. A inclusão de uma verdade no depósito revelado é primeiro manifestada pelo Magistério, antes de ser percebida e transformada em objecto da nossa adesão. Isso acontece quando a enunciação do mistério é implícita, por exemplo, quando se trata da Imaculada Conceição ou da Assunção.

      Mas, independentemente do que pode ocorrer na prática, por direito e por princípio, o segundo elemento deve prevalecer sobre o primeiro, e o acto de fé deve ter por objecto (n.3) a enunciação do mistério (ou a verdade revelada) proposta pelo Magistério de a Igreja.


      Notas:

      1. I Tm, VI, 20 ; II Tm, I, 13-14.
      2. As "fontes" da Revelação são diferentes dos "monumentos" da Tradição e os "critérios" da revelação são diferentes dos "órgãos" da Tradição. Os monumentos são para a Tradição aquilo que as fontes são para a Revelação e os órgãos são para a Tradição o que os critérios são para a Revelação. O critério de R3evelação é Tradição e o órgão de A tradição é o magistério.
      3. Para os tomistas, este é o objecto formal final ou o quod do objecto formal. O objecto formal motivador ou o objecto formal quo é a autoridade de Deus reveladora, e não a proposta do Magistério.

    17.12.17

    The best remedy in the hour of sorrow / O melhor remédio na hora da tristeza (Fr. Goffine)

    In need, sorrow, and dejection, the best means to relieve our distressed hearts'; to gain light and consolation; to revive our fallen courage, is humble and confiding prayer, in which we can pour out our hearts before God, and give ourselves up to his love and mercy.



    Who has more willingness and power to help us than God? And what is the consolation of men, in comparison with that of God? Let us have recourse to Him, and he will enlighten, strengthen, and deliver us, as he did Anne the sorrowful mother of Samuel the prophet, David fleeing from his son Absalom, Ezekias threatened by King Sennacherib, Josaphat in painful uncertainty, Susanna falsely accused and condemned to death, and innumerable others whose memory the Holy Scriptures, and the history of the Church, preserve for our instruction. These all prayed to God and were delivered from their afflictions, receiving help and consolation.

    St. James therefore admonishes us, Is any one of you sad? Let him pray (James v. 13); and St. Paul, in the Epistle for this Sunday, encourages us not to he solicitous about anything but in everything by prayer and supplication with thanksgiving to let our requests he known to God.

    Are you, then, sad and discouraged? Lift up your soul to God, and say with David, To thee have I lifted my eyes who dwelleth in Heaven; behold as the eyes of servants are on the hands of their master as the eyes of the handmaid are on the hands of her mistress so are our eyes unto the Lord our God until he have mercy on us: have mercy on us Lord, have mercy on us. Give joy to the soul of thy servant, for to thee, Lord, I have lifted up my soul (Ps. cxxiii).
    Na necessidade, tristeza e abatimento, o melhor meio para aliviar nossos corações nas dificuldades; para ganhar luz e consolo; para ressuscitar nossa coragem caída, é a oração humilde e confiável, na qual podemos derramar nossos corações diante de Deus e nos entregarmos ao seu amor e misericórdia.

    Quem tem mais vontade e poder para nos ajudar do que Deus? E o que é a consolação dos homens, em comparação com a de Deus? Recorramos a Ele, e ele iluminará, fortalecerá e nos livrará, como fez a Ana, a mãe dolorosa do profeta Samuel, a David fugindo de seu filho Absalão, a Ezequias ameaçada pelo rei Senaquerib, a Josafat na incerteza dolorosa, a Susana falsamente acusada ​​e condenada à morte, e inúmeros outros cuja memória as Sagradas Escrituras e a história da Igreja preservam para nossa instrução. Todos oraram a Deus e foram libertados de suas aflições, recebendo ajuda e consolo.


    S. Tiago, portanto, nos adverte, Está alguém, entre vós, aflito? Recorra à oração(Tiago v. 13); e S. Paulo, na Epístola deste domingo, encoraja-nos a Por nada vos deixeis inquietar; pelo contrário: em tudo, pela oração e pela prece, apresentai os vossos pedidos a Deus em acções de graças..

    Estás triste e desencorajado? Eleva a tua alma a Deus e diz com David: Levantei os olhos que habitam no céu; Eis que os olhos dos servos estão nas mãos do seu mestre, como os olhos da serva estão nas mãos de sua amante, assim são os nossos olhos para o Senhor nosso Deus até que ele tenha piedade de nós: tenha piedade de nós, Senhor. tenha piedade de nós. Dá alegria à alma do teu servo, pois a ti, Senhor, levantei a minha alma (Sal. Cxxiii).

    14.12.17

    The Theology of Martin Luther (Fr Konrad Loewenstein, FSSP)

    Let us examine the four central doctrines of Luther’s theology in the light of the Faith: Sola Scriptura, Sola Fides, Sola Gratia, and Solus Deus.

    1. Sola Scriptura

    The doctrine Sola Scriptura (Scripture alone), affirms that the Faith is based solely on Holy Scripture, and that Holy Scripture ‘interprets itself’. On the contrary, the Catholic Church, (Council of Trent s.4. 1546; Vatican Council I s.3 c.2), teaches that Faith is based on Divine Revelation, comprising not only Holy Scripture (the written part of Revelation), but also ‘Tradition’ (its oral part).

    Moreover it is not the individual person that has authority over Revelation, but the Church: it is the Church that has established which books belong to Holy Scripture, and that interprets these books and the data of Oral Tradition in order to define the Dogmas of the Faith. The Ascension is an example of a Dogma defined on the basis of Holy Scripture; the Assumption is one defined on the basis of Oral Tradition.

    2. Sola Fides

    The doctrine Sola Fides (Faith alone) affirms that in order to be saved, Faith alone is necessary, and not Faith and works (of Charity), as the Church teaches. In this connection, the Council of Trent (s.6 c.10) cites the following words from the Epistle of St. James (2. 24): “Do you see that by works a man is justified; and not by faith only?”

    Luther’s response to the Epistle of St. James was to dismiss it from his new canon of Holy Scripture, as a mere “Epistle of straw”. We note in addition that Luther understands Faith in a way different from Catholics. He understands it as trust that God in His mercy will forgive man on account of Christ, while the Church understands it as the acceptance of Revelation on the authority of God Who reveals it.

    Luther anyway had already lost the Catholic Faith from the moment of his first heresy, because he who denies even one article of Faith, must perforce deny the authority of God Who has revealed it.

    3. Sola Gratia


    The doctrine Sola Gratia (Grace alone) affirms that through Original Sin human nature was totally corrupted, so that man became incapable of knowing religious truth and of acting freely and morally, while Grace could not heal him, but only cover his sinfulness. The Church teaches, by contrast, that human nature is only fallen and wounded, and can be healed by Grace; man can know the truth, and possesses free will by means of which he collaborates with Grace in order to act morally, even if this often involves a great struggle.

    4. Solus Deus


    The fourth doctrine, Solus Deus (God alone) means that man has direct access to God, in the sense that man receives salvation directly from Him and not through the Church, the Priesthood, the Sacraments, the intercession of the Most Blessed Virgin Mary and the Saints.

    In more detail we may say that there is an intimate and indissoluble union between the Church and God:

    1) God in His Divinity; and
    2) God in the Person of Our Lord Jesus Christ.

    As to (1): God has, in actual fact, in virtue of His divine, sublime Majesty, established, and operates through, a hierarchical order in all things, whether they be natural or supernatural, whether they be in Heaven, Purgatory or Hell.

    As for the Redemption, He acts through the Fiat of the Most Blessed Virgin Mary, through the Incarnation, the Passion and Death of His Divine Son, and, with regard to the particular point under discussion, through the Holy Catholic Church and Her Sacraments.

    As to (2): God, in the Person of Our Lord Jesus Christ has prolonged His earthly life and works in His Church: His life on earth through the Church which is His Mystical Body, and His works through the Sacraments where He acts in Propria Persona. The most glorious example of His works is undoubtedly the Holy Mass where He continues to offer and immolate Himself to the Father at every moment of the day and night, and will do so until the end of time.

    In fact, Luther professes only two Sacraments: Baptism, and that which he was pleased to define as “the Supper” in substitution for the Holy Mass, the sacrificial nature of which he denied.

    The vision expressed in these denials of Catholic dogma (that is to say heresies) is of a direct relationship with God without submitting to Church doctrine – or even to God, by Whom Luther expects to be welcomed unrepentant. In a word the vision may be expressed simply as ‘solus Martin Luther’.

    13.12.17

    The Village Option (Fr. Armand de Mallerais, FSSP)

    Poor refugees!

    Unfortunate hostages!

    Pitiable victims!

    As on the news we watch families in distress, or even entire populations affected by natural disasters, wars and persecutions – we give thanks to God that we in Great Britain are spared such ordeals.

    Perhaps we wonder if the victims would have coped better if only they had had time to get organised. If only they could have read the signs! If only they had seriously considered what was looming ahead. Perhaps, they did detect inconveniences, but those were not serious enough, they felt, to threaten their comfort, let alone their safety.

    Can we read the signs? How much time do we have left? Is it possible that we, in (once) merry England, might be the next targets on the list? Regardless of their liturgical preferences, more and more of our fellow Catholics admit that the grip of secularist laws is tightening. What was taken for granted since the conversion of Emperor Constantine to Christianity seventeen centuries ago is now undermined in many ways. No consolation is it for England to recall that the great man was living in York when he accessed imperial power (A.D. 306): would Constantine be proud of us?

    Unjust laws


    We now give a sample of institutionalised wrongs and scandals. Our Catholic adoptions agencies, providing well-praised assistance to numerous childless parents, were shut down because we would not condone same-sex parenting. We Christians are prosecuted and fined if at our B&B’s we fail to provide a room with a double bed for guests of the same sex; or if our bakery simply declines to bake a cake promoting so-called ‘gay marriage’. If hostesses wear a small cross around passengers.

    Hospitals fire us if, as midwives, we refuse to kill babies or if, as nurses, we console patients with the thought of God’s love for them. Praying silently for the unborn and peacefully advising mothers to keep their babies might soon become criminal offense.

    At university, pro-life students are simply banned from freshers’ fairs. Even in primary schools, teachers can be sacked unless they address Tim and Sam as Tina and Pam, as they walk into the classroom wearing their sisters’ skirts.

    After trampling upon the rights of conscience, the government just announced that our body is not ours any longer. Soon it will legally belong to the State until expressed otherwise. This results from a change to the organ donation system in England from an ‘opt-in’ system to an ‘opt-out’ one, “shifting the balance of presumption” that we will not donate our organs, to that we will donate. This contradicts the Catechism of the Catholic Church which states (# 2296) that organ transplant “is not morally acceptable if the donor or his proxy has not given explicit consent”.

    Naming persecution

    When will ‘too much’ be too much? When will the frogs in the cauldron admit that the water is not cool any more, not even lukewarm, but nearly boiling? When? Better not wait as long as the witches in Macbeth would advise:“When the hurly-burly’s done, when the battle’s lost and won.” Why not wait further? Because it will be too late; at least for our generation. When will our fellow citizens, most of them with common sense still, stand up and say: ‘Enough tyranny!’

    Prudence is needed though. How easy to condemn in retrospect those who tried to save the remains of a peace they knew was doomed, like British Prime Minister Neville Chamberlain at the 1938 Munich Conference with Hitler.

    No one wants to bear before history the responsibility of starting a war – and what if one started it and lost? On the other hand, is the Chamberlain Option an option at all? Was it not plainly a mistake, rather, allowing the Nazi tyrant to grow bolder, instead of stopping his criminal ambitions? What other options do we have? Preparing for the end? New Age gurus and other impostors frighten gullible crowds, assuring that the end of the world is for... very soon – regularly updating their failed prophecies. We should pity Paco Rabanne and the likes, while laughing at their predictions. On the other hand, St John’s Apocalypse describes a distressing future awaiting the world before Judgment. But this seems too far ahead. In between, could it really be that in our own times and country, persecution is imminent?

    It was neither a guru nor an extremist who spoke those words: “I expect to die in bed, my successor will die in prison and his successor will die a martyr in the public square.” It was the late Cardinal Francis George of Chicago, barely a few years ago. He added:
    His successor will pick up the shards of a ruined society and slowly help rebuild civilization, as the Church has done so often in human history” [original quote confirmed by Tim Drake, National Catholic Register, April 17, 2015].
    Since then, Cardinal George died, in bed indeed. May he rest in peace. Pope Francis himself praised several times Robert Hugh Benson’s dystopian novel Lord of the World (1907), depicting an apocalyptic conflict between secular humanism and Catholicism, which fittingly applies to our modern world. What is there for us to do then? No simple solution springs to mind, but the increasing threat is now more publicly acknowledged in acclaimed books such as The Benedict Option, The Marian Option and Gabriele Kuby’s masterpiece: The Global Sexual Revolution – Destruction of Freedom in the Name of Freedom. In this Fatima Centenary Year, how can we not heed to Our Lady’s command to pray our Rosary, do penance and receive the Eucharistic Lord in a spirit of reparation?

    This is our best preparation for whatever looms ahead.

    Sacrificial souls may obtain from God that we be spared His wrath, if more profitable to us and to the world. But even if we don’t escape this storm, provided we are faithful, assuredly a bright future lies ahead – at least after judgement.

    Rebuild villages

    Meanwhile, at a local level and modestly, the Priestly Fraternity of St Peter offers assistance. Our strongest means is this: every day without exception, the Holy Sacrifice of the Mass is offered to God on behalf of all of us sinners in the South (Reading), in the North (Warrington) and in Scotland (Edinburgh) – plus every Sunday in Chesham Bois and Bedford, fortnightly in Dundee and monthly in Stirling, Cork, Barntown and London (one Friday a month at St Mary Moorfields).

    In addition, confessions are heard daily, e.g. in Warrington and Reading. We also provide the whole range of pastoral means of formation and sanctification, all based upon the Roman traditions of the Church.

    While it is wise to avoid a ghetto mentality, one should also recognise that the sheer existence of the social order is at stake when families are undermined. Catholic families will be less vulnerable if they gather together.

    This may happen on yearly occasions such as pilgrimages and holidays. It also takes place more frequently via the internet, where forums foster the exchanging of information and provide some relational support to the more isolated families. However, since we are souls within bodies, we live where our bodies are. As an example, when the family van is kept for yet another repair at the local garage, and after dusk Mummy runs out of nappies for her youngest one, those will be obtained much quicker from the next door friend family than online. Practically, nothing will strengthen families more than living stably within walking distance from each other and from their church.

    We therefore advocate the ‘village option’ as the safest in our troubled times. We should come and dwell close to each other as in a village. Families will draw a lot of strength from the geographical proximity with other likeminded families. This network of relationships will have the church as its centre, that is, the actual building where families and individuals will meet every Sunday and feast days, and even every day for Low Masses and devotions.

    For many Catholic parents, arriving on time to church on Sunday with all their children washed and dressed up as traffic builds up is challenging enough. While in principle approving of a daily visit to their chosen Catholic church, they consider it a sheer dream.

    And yet, how wise, simple and rewarding it used to be when families could simply walk to their local church, assured of finding it open, with their favourite Saint awaiting them on his or her altar where they could light a candle; with their trusted priest sitting daily in the confessional before daily Mass offered with reverence; with quiet and recollection guaranteed, unless one wished to join other faithful to chat in the adjacent hall.

    How encouraging for families to meet up easily, whenever they wish, for educational and social activities,catechism, games, etc. How helpful to parents when their children and adolescents can walk or cycle to their friends for entertainment, or to the church for devotions, youth groups, liturgy and singing practices, etc.

    It will get worse

    Within our readership, many families have more children than average and live far away from a church such as described above. With fewer and fewer clergy in the dioceses, and with more and more intrusive laws passed, the situation is going to get worse in the coming years.

    The more isolated families are, the more vulnerable they will become. The strain on them is great and their social and spiritual needs cannot be properly met in their current circumstances. Ignoring this bitter truth will not solve the problem.

    Recently, such a family from greater London visited us in Warrington (Cheshire), considering moving North. We discussed these difficulties. The father admitted that he and his wife were so absorbed by mere survival in a hostile work environment, as well as at home with nearly no family support, that they had not realised how damaging their current setting was to their family. One ends up lowering one’s family expectations, whether social, spiritual or liturgical.

    One will say: ‘That’s the way things are – we can’t help it.’ Meanwhile, the pressure increases to conform to the world, and resisting it without giving in to anger or even to despair – with no like-minded families and clergy within reach – becomes less and less possible.

    The Priestly Fraternity of St Peter invites single professionals, young couples, families and grandparents to relocate to places where the support just described is available. Among other places, our apostolates of Reading and Warrington offer just this. If more families move there together, what now seems an ideal will become normal. Up to now in England, families ruled out relocating. It is something American Catholics could do, one assumed, as part as their pioneer mentality, whereas we in England are more settled and attached to our local neighbourhood. But this view seems contradicted by the great distances travelled in the past by British civil servants and settlers to Australia, India and Canada. And what about British students spending years in universities distant from home? In reality, the British are capable of going to live in a different environment, when they see the interest.

    Nowadays, more and more families understand that the issue is survival. They realise that moving close to each other, near one of our traditional Mass centres, will make parents, children and adolescents stronger and happier, humanly and spiritually. They sense that instead of trying to resist the assaults of secularism in isolation, they can pool together their legitimate ambitions as Catholic families and build up dynamic communities where embracing the fullness of Catholic life will not be an oddity or a crime, but an expectation and an incentive.

    Roots and mission

    Is this Christian though? Does not Our Lord invite us to mix with the world like yeast in the flour (Matt 13:33)? How will the dough ever leaven if we, the yeast, keep apart? This is a valid concern – as long as the yeast retains its identity. But when the ‘yeast’ is ground so thin that its core capacities are hindered, or perhaps left to damp until its integrity is lost, it can no longer interact with the ‘flour’. It would be like mixing sand with flour: at best one might expect plaster – not bread.

    When you are too small and weak, you can’t act as yeast any longer. There is a minimum size to a human group and a level of vitality below which our Catholicism will not affect the world – but the world will water down our Catholicism. This has accelerated in the past decades, and spectacularly in the past few years. Nowadays, isolated families and single people wishing to lead thoroughly Catholic lives are like sparse raisins in low quality muesli: a brief entertainment for secularist teeth.

    A prerequisite for us Catholics to help evangelise is to be spiritually alive and strong. Isolation prevents this. Gathering together in times of adversity does not mean withdrawing from the world, but restarting evangelisation on safe grounds. Within ethnic and religious minorities such as Hindus, Chinese and of course, Muslims, members settle close to each other. Our challenge is to recognise that no less than them – and in fact more than them – we Catholics have become a fragile minority within our once Christian country. We, non-selective Catholics, we who embrace the fullness of the commandments of God and His Church, must admit that we are under threat here in England (and in the Western world at large). We must act upon this now, or become diluted. We must regroup, or be slurped.

    Perhaps some wonder if, as celibate priests, we in the Priestly Fraternity of St Peter are qualified to advise on these matters. First of all, many of us grew up in families confronted with those very problems. As young adults, most of us had little support from schools, universities and professional environment, all expecting us to endorse their worldly agenda. How we would have loved to rely on strong Catholic communities!

    Furthermore, during our seven-year formation to the priesthood, we choose to live apart in an environment designed to protect and nurture in us God’s calling as His future priests. Yearly we spend nine months out of twelve among our fellow seminarians and our priests, in our self contained seminaries in Bavaria and Nebraska.

    We do not become recluses, but we let ourselves be configured to Christ, so as to better communicate Him, once sent into the world.

    Those who meet us can see that we are happy, and eager to interact with souls. This model of strategic gathering seems successful, since from twelve founders twenty nine years ago, our clerical family has increased by over fourteen new members each year, now numbering 437 worldwide. Most of them are already priests, serving families on four continents in 239 Mass centres. There, we see new families being founded and flourishing. We see children nourished with healthy doctrine and piety, and youngsters growing into strong and helpful men and women. We see dads comforted in their authority as heads of their domestic church – their household – and mums encouraged in their mission as hearts of the family.

    We see the elderly respected and taken care of, also actively involved in the life of devotion at our churches.

    To work

    Dear Friends, in Great Britain today (as all across the Western world) the risk of losing our Catholic identity and purpose is real, as Our Lord warns: “You are the salt of the earth. But if the salt lose its savour, wherewith shall it be salted? It is good for nothing any more but to be cast out, and to be trodden on by men.” (Matt 5:13).

    Instead, we invite you to choose the Village Option. Add your skills, your good will and your virtues to our budding Catholic communities. By doing so, you are more likely to secure the sanctification of your families and to make a difference in the conversion of England.

    As we already witness here in Our Lady’s Dowry, such local communities also inspire people who are lapsed, pagan or don’t know Catholicism.

    A sign of the times? – at our three main apostolates of Reading, Bedford and Warrington, we are now actively seeking to help parents educate their children. Since at this stage founding actual schools is fraught with difficulties, instead, academies, cooperative structures and substantial part-time curriculums are being envisaged.

    Please do make contact with us. If you are parents, do express interest. If you have experience in teaching or education, do share it with us. If you have any money to invest in the Church of tomorrow, sponsor our educational endeavours. If you only have your hands and knees, please pray to God for us to be guided and protected in this undertaking. He will reward you at least in Heaven, and here below with our poor prayers in return, and with the smile of our children!

    11.12.17

    Clarity

    Roberto de Mattei (OnePeterFive, 11/12/2017):
    "Today a large part of the college of cardinals, of the college of bishops, and of the clergy in general, are infected with modernism ...

    It will not be men who save the Church. The situation will be resolved by an extraordinary intervention of Grace, which however must be accompanied by the militant commitment of faithful Catholics. ... but grace builds on nature. Each of us ought to do the maximum that we can according to our ability.

    ... the guidelines of the Argentine bishops and the approval of the Pope have been published in AAS has made it official that “no other interpretations are possible”... we are entering into a new phase of the pontificate of Pope Francis: moving from a pastoral revolution to the open reformulation of doctrine. Pope Francis’ discourse of October 11 [2017], ... seems to call for the beginning of a reinterpretation of the Catechism of the Catholic Church in the light of Evangelii Gaudium and Amoris Laetitia.

    The line of thinking of those cardinals, bishops, and theologians who maintain that it is possible to interpret Amoris Laetitia in continuity with Familiaris Consortio 84 and other documents of the Magisterium has been reduced to dust....

    ... the guarantee of inerrancy is reserved to the Magisterium only in specific conditions, which are clearly spelled out in the Dogmatic Constitution Pastor Aeternus of Vatican I. The existence of errors in the non-infallible documents of the Magisterium, including the pontifical Magisterium, is possible, above all during periods of great crisis.

    ... while there is a basic incompatibility between [holding] heresy and [holding] papal authority, the Pope does not lose his office until his heresy becomes apparent to the entire Church."

    Luis Fernando Pérez Bustamante (Infocatólica, 11/12/2017):
    "El apóstol San Pablo lanza una advertencia a los cristianos en Galacia que sin duda sirve para todos los cristianos en todo el mundo y en todas las épocas:
    Me maravilla que hayáis abandonado tan pronto al que os llamó por la gracia de Cristo, y os hayáis pasado a otro evangelio. No es que haya otro evangelio; lo que pasa es que algunos os están turbando y quieren deformar el Evangelio de Cristo.
    Pues bien, aunque nosotros mismos o un ángel del cielo os predicara un evangelio distinto del que os hemos predicado, ¡sea anatema!
    Lo he dicho y lo repito: Si alguien os anuncia un evangelio diferente del que recibisteis, ¡sea anatema!
    Gal 1,6-9
    ... Es posible que incluso un apóstol como él decida predicar un evangelio diferente. Y la reacción de los fieles ante esa coyuntura ha de ser la del rechazo.
    Por si no quedara clara la cuestión, en la misma epístola vemos a San Pablo ejerciendo ese “rechazo” ante una mala actitud de San Pedro:
    Ahora bien, cuando llegó Cefas a Antioquía, tuve que encararme con él, porque era reprensible. En efecto, antes de que llegaran algunos de parte de Santiago, comía con los gentiles; pero cuando llegaron aquellos, se fue retirando y apartando por miedo a los de la circuncisión. Los demás judíos comenzaron a simular con él, hasta el punto de que incluso Bernabé se vio arrastrado a su simulación.
    Pero cuando vi que no se comportaban correctamente, según la verdad del Evangelio, le dije a Pedro delante de todos: Si tú, siendo judío, vives como los gentiles y no como los judíos, ¿cómo fuerzas a los gentiles a judaizar?
    Gal 2,11-14
    No era la primera vez que Pedro recibía una represión pública delante de toda la Iglesia. Justo después de que Cristo dijera que fundaría la Iglesia sobre él y su confesión pública de fe.
    Pedro, tomándolo aparte, se puso a reprenderle diciendo: -¡Dios te libre, Señor! De ningún modo te ocurrirá eso.  Pero él se volvió hacia Pedro y le dijo: -¡Apártate de mí, Satanás! Eres escándalo para mí, porque no sientes las cosas de Dios sino las de los hombres.
    Mat 16,22-23
    Ciertamente son muy escasas las ocasiones a lo largo de la historia de la Iglesia en las que esas palabras del Señor y el apóstol han debido ser aplicadas. Pero ejemplos hay. Es el caso de Santa Brígida de Suecia, patrona de Europa, quien no tuvo problema en decir del Papa de su tiempo, sin negar su condición de Pontífice, que era un “asesino de almas, más injusto que Pilato y más cruel que Judas”.
    Conocido es el caso del papa Honorio, cuya carta el Patriarca Sergio de Constantinopla sobre la cuestión del monotelitismo, recibió la siguiente calificación del papa León II:
    «Declaramos anatema a los inventores del nuevo error, esto es a Teodoro de Faran, Ciro de Alejandría, Sergio, Pirro, Pablo y Pedro de la Iglesia de Constantinopla, así como a Honorio, que no se esforzó por mantener la pureza de nuestra apostólica Iglesia en la doctrina de la tradición de los apóstoles, sino que permitió con execrable traición que se ultrajase a esta Iglesia sin mancha».
    Lo que Dios permitió que ocurriera una vez, puede volver a ocurrir. Por ejemplo, si la Escritura dice que:
    No os ha sobrevenido ninguna tentación que no sea de medida humana. Dios es fiel, y él no permitirá que seáis tentados por encima de vuestras fuerzas, sino que con la tentación hará que encontréis también el modo de poder soportarla.
    1ª Cor 10,13
    Si el concilio de Trento enseña:
    CAP. XI. De la observancia de los mandamientos, y de cómo es necesario y posible observarlos. Pero nadie, aunque esté justificado, debe persuadirse que está exento de la observancia de los mandamientos, ni valerse tampoco de aquellas voces temerarias, y prohibidas con anatema por los Padres, es a saber: que la observancia de los preceptos divinos es imposible al hombre justificado. Porque Dios no manda imposibles; sino mandando, amonesta a que hagas lo que puedas, y a que pidas lo que no puedas; ayudando al mismo tiempo con sus auxilios para que puedas; pues no son pesados los mandamientos de aquel, cuyo yugo es suave, y su carga ligera.
    Y:
    Si alguno dijere, que es imposible al hombre aun justificado y constituido en gracia, observar los mandamientos de Dios; sea excomulgado.
    Canon XVIII sobre la justificación
    Y si el papa Pio XI recuerda que
    Ninguna dificultad puede presentarse que valga para derogar la obligación impuesta por los mandamientos de Dios, los cuales prohíben todas las acciones que son malas por su íntima naturaleza; cualesquiera que sean las circunstancias, pueden siempre los esposos, robustecidos por la gracia divina, desempeñar sus deberes con fidelidad y conservar la castidad limpia de mancha tan vergonzosa, pues está firme la verdad de la doctrina cristiana, expresada por el magisterio del Concilio Tridentino: “Nadie debe emplear aquella frase temeraria y por los Padres anatematizada de que los preceptos de Dios son imposibles de cumplir al hombre redimido. Dios no manda imposibles, sino que con sus preceptos te amonesta a que hagas cuanto puedas y pidas lo que no puedas, y Él te dará su ayuda para que puedas”
    Encíclica Casti connubii
    Entonces, no podemos hacer otra cosa que rechazar en conciencia estas palabras del punto 301 de Amoris Laetitia
    Por eso, ya no es posible decir que todos los que se encuentran en alguna situación así llamada «irregular» viven en una situación de pecado mortal, privados de la gracia santificante. Los límites no tienen que ver solamente con un eventual desconocimiento de la norma. Un sujeto, aun conociendo bien la norma, puede tener una gran dificultad para comprender «los valores inherentes a la norma» o puede estar en condiciones concretas que no le permiten obrar de manera diferente y tomar otras decisiones sin una nueva culpa.
    Ni, por supuesto, podemos aceptar en conciencia como enseñanza de la Iglesia el punto 6 de los criterios marcados por los obispos de Buenos Aires sobre Amoris Laetitia, que el papa Francisco ha ratificado en forma de carta apostólica publicada en las Actas Apostolicae Sede…:
    «Si se llega a reconocer que, en un caso concreto, hay limitaciones que atenúen la responsabilidad y la culpabilidad (cf. 301-302), particularmente cuando una persona considere que caería en una ulterior falta dañando a los hijos de la nueva unión, Amoris laetitia abre la posibilidad del acceso a los sacramentos de la Reconciliación y la Eucaristía».
    Punto que contradice la enseñanza bimilenaria de la Iglesia sobre esa materia, tal como fue expresada por San Juan Pablo II en Familaris consortio:
    La Iglesia, no obstante, fundándose en la Sagrada Escritura reafirma su práxis de no admitir a la comunión eucarística a los divorciados que se casan otra vez. Son ellos los que no pueden ser admitidos, dado que su estado y situación de vida contradicen objetivamente la unión de amor entre Cristo y la Iglesia, significada y actualizada en la Eucaristía. Hay además otro motivo pastoral: si se admitieran estas personas a la Eucaristía, los fieles serían inducidos a error y confusión acerca de la doctrina de la Iglesia sobre la indisolubilidad del matrimonio. 
    La reconciliación en el sacramento de la penitencia —que les abriría el camino al sacramento eucarístico— puede darse únicamente a los que, arrepentidos de haber violado el signo de la Alianza y de la fidelidad a Cristo, están sinceramente dispuestos a una forma de vida que no contradiga la indisolubilidad del matrimonio. Esto lleva consigo concretamente que cuando el hombre y la mujer, por motivos serios, —como, por ejemplo, la educación de los hijos— no pueden cumplir la obligación de la separación, «asumen el compromiso de vivir en plena continencia, o sea de abstenerse de los actos propios de los esposos».
    Si el apóstol nos llama a rechazar otro evangelio, también nos llama a rechazar otro pretendido magisterio que no sea el que se nos ha dado por la Iglesia durante veinte siglos.
    El cómo se sustancia a nivel eclesial ese rechazo, no nos corresponde a nosotros, como fieles seglares, determinarlo. Ni somos San Pablo ni somos Santa Brígida de Suecia ni padres conciliares. Basta que, por gracia, nos mantengamos fieles a “la fe que nos ha sido entregada de una vez y para siempre” (Jud 3).
    Cuéntanos, Señor, entre tus elegidos."

    10.12.17

    Consolation in Adversities and Afflictions (Fr. Goffine)


    "Now the God of hope fill you with all joy and peace in believing" (Rom. xv. 13)

    What can and should console us in adversities ?

    A living and firm belief in these truths:

    1. That all events, adverse or prosperous, are ordered by God's wise Providence, and therefore that no evil can befall as except by his permission, who never allows us to suffer more than is for our greatest good.

    2. Fortune and misfortune, life and death, riches and poverty come from God (Ecclus. xi. 14). If we willingly accept from the hand of God, what is good and agreeabIe, shall we not accept also what is adverse and trying ?

      If we are ourselves the cause of our own sufferings, we should say, "Our Father in Heaven is punishing us for our sins" if not ourselves the cause, we must think that God is testing and strengthening our love and our obedience.

    3. That God, with the solicitude of a father, will not allow even a hair to fall from our heads without his permission, so will he not suffer any evil to be done to us by devil or man.

    4. That if we call upon him in adversity, God is able and willing to help us whenever it ia expedient for our salvation. Thus, to encourage us, he says (Ps. xlix. 15), "And call upon me in the day of trouble, I will deliver thee and thou shalt glorify me"; and "If God is for us, who is against us?" (Rom. viii. 31); and "can a woman forget her infant so as not to have pity on the son of her womb? and if she should forget yet will not I forget thee: behold I have graven thee in my hands" (Isaias xlix. 15).

    5. That it would be of no use for us to resist Divine Providence, for all who have done so have been filled with shame and ignominy. "Who hath resisted him" asks Job, "and hath had peace?" (Job ix. 4.) God leads him who willingly submits, but crushes him who refuses to obey. It is a frightful example which the Scriptures furnish us in Saul, whom despairing of help from God, took his own life.

    6. That our sufferings, when borne with patience and submission, lose their sharpness, and bring us merit and reward. For "that which at present momentary and light of our tribulation, worketh for us, above measure exceedingly, an eternal weight of glory" (2 Cor. ix. 17). 

    7. That Christ also entered into his glory through sufferings; that the Saints have all followed him in the way of the Cross, and that, by partaking of the sufferings of Christ, we become partakers also of his glory (1 Pet iv, 13). Why then should we complain of the sufferings sent to us from God, which beget in us a likeness to Christ, the man of sorrows, and to all the saints; which separate us from the things of the world, and create in us a desire for Heaven; which assist us to repent of our sins, give us peace and joy in God, and produce imperishable fruits for the harvest-day in Eternity?
    Prayer to be said in Adversity : from the Psalms of David,

    Almighty, Benign, and True God, who hast said "Call upon me in the day of trouble, and I will deliver thee"; behold, all-merciful Father, confiding in thy word, I have recourse to thee in my need. Give honor, therefore, to thy name, and deliver me, if it be according to thy will, and for my good, that all may acknowledge the Truth, that thou, O Lord, art a Helper in time of tribulation. Amen.